paisagens, culturas e territórios capixabas

“Ecossistemas do Espírito Santo” é um projeto de exposição fotográfica em desenvolvimento, construído ao longo de mais de 35 anos de pesquisa, fotografia e imersão nos ecossistemas e territórios culturais capixabas.
O Espírito Santo abriga uma grande diversidade de paisagens e de ecossistemas. Entre o mar e as montanhas, encontramos manguezais, restingas, mata atlântica, campos de altitude, rios e lagoas que se formaram ao longo de milhões de anos.
O ser humano estabeleceu, desde o início de sua existência, uma profunda conexão com esses ecossistemas, inicialmente por oferecerem abrigo, alimento e possibilidades de sobrevivência. Ao longo do tempo, essa relação também se tornou simbólica e afetiva, passando a integrar a memória, a cultura e as formas de perceber e habitar o território.
Povos originários, comunidades tradicionais, pescadores, marisqueiros, comunidades rurais, pesquisadores e diferentes grupos sociais construíram, ao longo das gerações, uma rede viva de relações entre natureza, cultura e pertencimento no território capixaba.
André Alves propõe uma travessia visual e sensível pelas paisagens do Estado e pelas diferentes formas como o ser humano vive, percebe e se conecta com esses ambientes.
Mais do que documentar a biodiversidade, o projeto busca revelar vínculos, pertencimentos e experiências que aproximam as pessoas dos territórios que habitam.
Um passeio imagético e textual pelos principais Ecossistemas do Espírito Santo:
MAR
O mar conecta ecossistemas, territórios e culturas. Correntes marinhas, ilhas, recifes, estuários e praias formam uma paisagem em constante movimento, responsável por sustentar grande parte da biodiversidade costeira.
Para muitas comunidades do Espírito Santo, o mar representa trabalho, alimento e deslocamento. Para outras pessoas, é também experiência corporal, contemplação e liberdade — um espaço onde esporte, mergulho, navegação e memória se misturam à paisagem.






MANGUEZAL
Entre a terra e o mar, os manguezais formam um dos ecossistemas mais produtivos do planeta. Suas águas calmas e abrigadas funcionam como berçário para inúmeras espécies marinhas e sustentam uma complexa rede de vida associada aos estuários e à costa capixaba.
Toda a fartura de alimento existente no manguezal há milênios já atraía os seres humanos que viviam próximos ao litoral e por isso ele se transformou também em território de memória, trabalho e pertencimento. Pescadores, marisqueiros e caranguejeiros construíram, ao longo das gerações, formas de convivência profundamente ligadas aos ciclos das marés, aos saberes tradicionais e à experiência cotidiana desses ambientes.






O caranguejo uçá, Ucides cordatus, é um dos personagens mais famosos dos nossos manguezais: uma verdadeira iguaria na gastronomia capixaba.
RESTINGA
Entre o mar e a floresta, a restinga é um território de adaptação e resistência. Moldada pelo vento, pela salinidade e pela areia, abriga uma vegetação capaz de sobreviver em condições extremas e uma enorme diversidade de formas de vida.
Ao longo do litoral do Espírito Santo, a restinga também se tornou espaço de travessia, contemplação, pesca, esporte, turismo e memória afetiva. Caminhar por suas trilhas, sentir o vento vindo do oceano e observar a vegetação moldada pela maresia são experiências que aproximam o ser humano da paisagem costeira.






LAGOAS E ÁREAS ÚMIDAS
Lagoas, brejos, áreas alagadas e ambientes úmidos abrigam uma enorme diversidade de espécies e desempenham funções essenciais para o equilíbrio ecológico, regulando a água, protegendo nascentes e servindo de abrigo para aves, peixes e inúmeras formas de vida.
Esses ambientes também fazem parte da memória afetiva e cultural do território capixaba. A presença da água molda paisagens, deslocamentos, modos de vida e experiências de contemplação e sobrevivência.




MATA ATLÂNTICA
A Mata Atlântica abriga algumas das maiores biodiversidades do planeta e protege nascentes, rios e cadeias montanhosas fundamentais para a conservação ambiental no Espírito Santo. Além de sua função ecológica, nos oferece também uma experiência estética rara: como é lindo contemplar as montanhas cobertas pela mata atlântica, sentir a neblina, o canto das aves, o cheiro de terra molhada.
Mais do que uma floresta, ela é também território de experiência e pertencimento. Trilhas, cachoeiras, observação de aves, pesquisas científicas e modos tradicionais de vida revelam diferentes formas de relação entre sociedade e natureza.





Fêmea de beija-flor, Phaethornis idaliae, alimentando o seu filhote.
CAMPOS DE ALTITUDE
Nos pontos mais elevados do Espírito Santo, os campos de altitude revelam paisagens marcadas pelo vento, pela neblina e pelas grandes variações climáticas.
A experiência de atravessar essas montanhas transforma a percepção do território. Caminhadas, travessias, banhos de cachoeira e contemplação aproximam o ser humano de uma paisagem onde silêncio, escala e tempo assumem outra dimensão.




